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Benefícios à saúde promovidos por bactérias ácido láctica

1.  Digestão de lactose:  uma grande parte da população mundial é deficiente na produção da enzima intestinal, lactase, que digere a lactose. Em estudos clínicos, iogurte contendo cultura viável ameniza os sintomas de intolerância à lactose provocada pelo consumo de produtos lácteos não fermentados (Goldberg, 1994).

2. Diarréia: o efeito de culturas lácteas na diarréia tem sido difícil de ser determinado devido ao grande número de variáveis relacionadas à doença, como causa, gravidade, sub-população afetada, parte do organismo atingido pelo problema e tipo de tratamento utilizado (tipo de cultura e quantidade). Entretanto, há vários estudos clínicos que evidenciam o efeito de culturas lácteas na atenuação dos sintomas ou redução da duração da doença. Um estudo, com baixo grau de controle realizado com Bifidobacterium ou iogurte bifidus no tratamento de diarréia pediátrica intratável (uma a dez semanas de duração) todos os quinze pacientes mostraram melhoras após 3 à 7 dias de tratamento (Goldberg, 1994).

3. Diminuição de riscos de câncer de colo: Estudos indicam que certas cepas de L. acidophilus estão relacionadas com a redução da atividade de enzimas fecais, as quais podem estar relacionadas com o câncer de colo (Goldberg, 1994).

4. Constipação ou prisão de ventre: apesar de poucas pesquisas realizadas relacionando o efeito do consumo de produtos fermentados com a constipação, alguns estudos clínicos mostram evidências de que o emprego de laxativos por pacientes idosos pode ser reduzido com o consumo regular de leites acidificados por L. acidophilus ou Bifidobacterium, e de que estes promovem maior regularidade intestinal (Goldberg, 1994).

5. Vaginite: estudos asseguram a eficiência do emprego de iogurtes acidificados por L. acidophilus no controle da vaginite em mulheres que não consumiam iogurte regularmente antes da pesquisa e que não estavam em  terapias com antibióticos (Goldberg, 1994).

6. Controle do colesterol: estudos realizados em ratos demonstraram que as bactérias do iogurte comum (S. thermophilus e L. delbrueckii subsp bulgaricus) têm, possivelmente, efeito sinérgico com Bifidobacterium bifidum, o qual causa significativa redução do colesterol total. Mas embora haja diversos trabalhos em animais relatando resultados positivos, ainda não há consenso sobre o efeito em seres humanos (Beena e Prasad, 1997; Goldberg, 1994).

 7. Supressão de patogênicos intestinais: foi relatado por diversos autores que S. thermophilus não tolera alta acidez, por isso é muito pouco provável que esta espécie resista à passagem pelo estômago. No entanto, L. bulgaricus suporta acidez superior, sendo possível que ao menos uma parte das bactérias em estado viável alcancem o intestino (Tamime e Robinson, 1972). Ao contrário, espécies como Bifidobacterium bifidum e Lactobacilus acidophilus (probióticas) resistem muito bem à passagem pelo estômago, produzindo um produto lácteo de excelente valor terapêutico (Tamime et al, 1995). Leites fermentados com L. acidophilus La1 e Bifidobacterium têm resultado em mudanças induzidas na flora intestinal e na resposta imunológica humana (Holzapfel et al, 1998). O mecanismo pelo qual a microflora intestinal de cada indivíduo pode resistir à colonização por microorganismos indesejáveis ainda não é bem compreendido. A flora nativa do trato gastrointestinal não é estável, e mudanças podem ocorrer dependendo da idade e dieta de cada pessoa (Marshall, 1996).

BEENA, A.; PRASAD, V. Effect of yogurt and bifidus yogurt fortified with skim milk powder, condensed whey and lactose-hydrolysed condensed whey on serum cholesterol and triacylglycerol levels in rats. Journal of Dairy Research. New York: vol 64, no 3, 1997. p. 453-457.

GOLDBERG, I. (Ed).  Functional Foods: Designer Foods, Pharmafoods, Nutraceuticals. New York : Chapman & Hall Inc., 1994. cap. 9,14 e 20.

HOLZAPFEL. W.H.; HABERER, P.; SNEL, J.; SCHILLINGER, U.; HUIS IN´T VELD, J.H.J.  Overview of gut flora and probiotics.  International Journal of Food Microbiology. Amsterdam, no 41, 1998. p. 85-101.

MARSHALL, V.M. Bioyogurt: how healthy? Dairy Industries International. Dartford: January 1996. p. 28-29.

TAMIME, A. Y.; MARSHALL, V. M. E.; ROBINSON, R. K. Microbiological and technological aspects of milks fermented by bifidobacteria. Journal of Dairy Research. New York: vol 62, 1995. p. 151-187.

TAMIME,  A.Y.; ROBINSON, R. K.  Yogurt Ciencia y Tecnologia.  Trad. de Maria C. D. Villegas Sólans e Alvaro R. Sánchez Arévalo.  Zaragoza: Ed. Acribia S. A., 1991.  Apud ACOTT, K.M.; LABUZA, T.P. Food Product Development, 1972. p. 6-50.

 

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